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Atendimento – S. Pedro de Fins

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O Crime Imperfeito

Longe vão os tempos das aulas de Psicologia Forense e Criminologia em que se falava do princípio de Locard.

Eu acredito neste princípio.

Locard dizia de uma maneira geral que que o suspeito, por mais “habilidoso” que fosse, deixaria sempre algum vestígio no local do crime.

É claro que pode deixar vestígios que à condição do estado da arte actual podem ainda não ser identificáveis, ou servir como objecto de prova. Certo é que qualquer que seja o vestígio, por mais pequeno que seja, ele é produzido.

Existem vários estudos interessantes, e as polícias de todo mundo começam a desenvolver novas maneiras de detecção de suspeitos.

Fiquei espantado quando soube das evoluções que se estão a fazer nomeadamente na recolha da impressão digital, que se baseará num futuro próximo não da análise de uma impressão completa com coicidência de determinado número de pontos, mas apenas num determinado número de características de uma simples ranhura das centenas que possuimos em cada dedo.

Assim, se uma simples ranhura poderá vir a ser suficiente para a deteção, imaginemos as centenas senão milhares de outras interações que existem no resto do corpo sempre que este entra em contacto com um novo ambiente.

Na mínima hipótese o suspeito respira… quem sabe se no futuro esta troca gasosa não poderá ser objecto de recolha fidedigna e posterior prova?

Não mais importante que isso será também a sua “impressão” psicológica. A experiência de vida que o suspeito vivenciou no local do crime, os cheiros, as cores, as sensações ficam gravadas de maneira consistente na sua memória. É, de facto, também uma área interessante e que será de certeza bem explorada no futuro.

Em opinião própria, o princípio de Locard é um dos mais importantes princípios que devemos utilizar.

“Abriu-nos os olhos”, se me permitirem a expressão, para uma premissa que todos já sabíamos – não somos inertes.

Muitas vezes em consultório referem-me que estão totalmente recuperados dos seus traumas, das suas relações anteriores, das perdas e dos fracassos que sofreram no seu percurso de vida.

Se aplicarmos aqui Locard, isso não existe.

As pessoas mudam de acordo com as suas experiências. Não podemos esperar que depois de uma situação traumática o sujeito faça uma viagem no tempo e fique exactamente igual ao que estava.

Parafraseando Antoine de Saint-Exupèry, “Cada um que passa na nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa na nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.”

Assim, Locard com este principio ajuda-nos a reflectir sobre nós, sobre o nosso dia-dia e sobre aquilo que estamos a fazer que nos poderá estar a deixar “vestígios” nas nossas reais necessidades, nos nossos objectivos e no nosso futuro

Estará o leitor a praticar o crime imperfeito sobre si mesmo?

Até breve

João Fernando Martins

Porque todos usamos máscaras?

Não deixa de ser muito interessante falarmos de máscaras em pleno Carnaval.

Porém, e contrariamente ao que a maioria das pessoas pensa, o uso de máscaras é quase tão antigo como a própria humanidade.

Desde o inicio da nossa civilização, ou seja, desde que começamos a “conviver uns com os outros” que o ser humano tem necessidade de esconder ou mostrar mais do que aquilo que realmente é.

Seja para esconder imperfeições, seja para provocar um impacto maior nos outros, seja para se sentir mais confiante em determinada situação.

O uso da máscara está intrínseco ao ser humano. Aliás, a palavra “pessoa” deriva de “persona” que era o nome que os actores romanos davam às máscaras que usavam em teatro.

Um dos maiores símbolos do teatro são então, coincidência das coincidências, duas máscaras.

O uso da máscara não está dependente de nenhum contexto histórico, religião ou grau evolutivo de uma sociedade mas está sim disseminado um pouco por todas.

Existem tribos em África que antes da batalha se mascaram para provocarem medo nos adversários, existem tribos na Costa Rica que se mascaram para os rituais de passagem a adultos dos novos membros, existem pessoas que usam a máscara de um determinado filme como imagem de grito de revolta ou identificação com os ideais de um grupo. Existem também pessoas que se mascaram no Carnaval.

Mas destas máscaras estamos todos cientes da sua existência histórica. E das outras?

Pois é, todos nós, todos os dias usamos máscaras que nos ajudam a conviver com outras pessoas, inclusivamente com aquelas que não gostamos.

Os nossos papéis diários (de pai, filho, avô, patrão, empregado, amigo, namorado) exigem que nos mascaremos. Mascaramos-nos para nos sentirmos integrados, nos sentirmos aceites. Ninguém é CEO de uma grande empresa e vai trabalhar com o pijama que dormiu na noite anterior. E também convém que depois de uma visita à sogra se diga “muito obrigado dona Maria foi um prazer”, quando no fundo foi uma seca. – isto são máscaras, as nossas máscaras.

Se por um lado é bom que as tenhamos (já pensaram no caos que seria se cada um dissesse o que sentia, a toda hora?), por outro há que ter cuidado.

A nossa sociedade exerce uma pressão imensa sobre nós e muitas vezes acabamos por usar mais as máscaras por medo do que por outra coisa qualquer.

O problema acontece quando nos habituamos demasiado às nossas máscaras, ao ponto de já não sabermos quem realmente somos.

Muitas vezes em consultório aparecem-me pacientes que se dizem infelizes. Quando lhes pergunto porquê, dizem que não sabem! – a máscara já está lá à tanto tempo que já não a distinguem.

Existem pessoas que passam a vida toda acomodadas à máscara. Porque a máscara é confortável, é um mal menor.

Aliás, muito do trabalho da Psicologia arriscava-me a dizer, passa por desmascarar a pessoa, ou melhor, que ela se desmascare a ela própria para que descubra realmente quem é.

Não faltam pessoas mascaradas de pessoas felizes.

Deixo-vos a pensar se não seremos mais nós próprios quando nos mascaramos no Carnaval, do que no resto do ano quando nos mascaramos de “pessoa”.

João Fernando Martins

 

O que é um Transtorno Obsessivo-Compulsivo e qual o seu tratamento?

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é uma Perturbação da personalidade que, de um modo muito grosseiro o poderíamos incluir na “família” de perturbações mais conhecidas ao público geral, como é o caso da Depressão e a Ansiedade.
Para definirmos o TOC é necessário compreendermos a diferença entre obsessão e compulsão.

A obsessão refere-se a ideias ou pensamentos que o sujeito considera intrusivos e que lhe causam imenso mal estar aquando desse aparecimento.
As compulsões referem-se a comportamentos (sejam físicos ou psicológicos) com o objectivo de evitar ou diminuir esse mesmo mal estar.
Assim, como exemplo poderíamos indicar a lavagem das mãos quando o sujeito abre uma porta, evitando assim que as obsessões em relação à sujidade ou bactérias ali presentes causassem mal estar psicológico ou ansiedade.
É importante referir que o TOC exige um determinado número de critérios, durante um período de tempo para ser correctamente diagnosticado.

Por isso, situações esporádicas, fases da vida difíceis onde estes comportamentos e ideias possam surgir, podem não ser suficientes para que o sujeito sofra desta perturbação.
Em relação ao tratamento, como em praticamente todas as nossas publicações, referimos que o correcto diagnóstico e avaliação é fundamental para ser determinada uma intervenção eficaz e individualizada, já que casos mais severos poder existir a necessidade de um acompanhamento psiquiátrico, com a respectiva medicação para uma estabilização mais rápida, e noutros o acompanhamento psicológico ou psicoterapêutico podem ser os mais eficazes no sujeito.

Qual a melhor solução para o tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada? A medicação é a melhor opção?

O TAG é uma perturbação muitas vezes confundida com a depressão, se bem que, apesar de existir muitas vezes em comorbilidade no mesmo paciente, estas são diagnosticadas diferencialmente.
A sua prevalência causa graves disfunções sociais e afecta o sujeito no seu dia-dia, também com elevada importância clínica.
Muitas vezes confundida com o tradicional “nervosismo” esta perturbação, devido às suas oscilações pode persistir durante anos sem que seja realizado um correcto diagnóstico.
A Psiquiatria, numa primeira fase de intervenção apresenta resultados muito positivos no que toca à medicação, que reduz substancialmente os níveis de ansiedade, equilibrando-a para níveis mais aceitáveis.
Contudo, uma perturbação da personalidade é muito difícil ser combatida em períodos reduzidos de tempo, visto que acima de tudo é necessária uma intervenção psicológica no sentido da alteração comportamental e muitas vezes emocional do sujeito, já que a ansiedade não é mais do que uma resposta natural do nosso organismo, preparando-o para reagir a uma situação ameaçadora.
Assim, uma avaliação correta e eficaz permite ao técnico descortinar qual a melhor intervenção para o sujeito, individualizando a mesma, com uma equipa multidisciplinar caso necessário.

Costumo sentir-me extremamente cansado depois de um ataque de pânico. Esta situação é normal ou terei algum problema físico?

A ansiedade é um processo normal do nosso organismo, preparando-o para reagir a uma ameaça.

Todos precisamos deste processo nas nossas vidas, seja para reagirmos a possíveis ataques que ponham em causa a nossa vida, seja no quotidiano por exemplo para nos prepararmos para discursar em público, canalizando as nossas energias para essa tarefa específica.
No entanto, a ansiedade em excesso torna-se disfuncional. Esta pode ter sido causada por inúmeros factores, sejam físicos, emocionais ou até hormonais, sendo por isso necessária uma avaliação criteriosa para se determinarem essas causas.
A ansiedade em excesso prejudica assim o normal desempenho do sujeito, podendo evoluir para situações mais extremas são o caso dos ataques de pânico.
Nestas situações, e como referido anteriormente, o nosso corpo é preparado para agir perante uma situação ameaçadora. Assim, existem durante um ataque de pânico reacções físicas e emocionais de grande intensidade.
Depois da situação ameaçadora desaparecer essas alterações voltam a níveis normais, mas durante o ataque de pânico foram vividas intensamente, sendo normal que a pessoa se sinta cansada depois de ter sofrido um ataque destes.

Estou actualmente a passar por um processo de separação difícil. Qual a terapia mais indicada?

A separação pode ser equiparada a uma perda, sendo que muitas vezes é necessário que se cumpram todas as fases correspondentes ao luto.

 

É variável esse processo seja em tempo necessário, seja em intensidade, dependendo muito do significado que a pessoa atribuía à relação e os contornos em que a separação ocorreu.

 

Em muitos casos, não deixa de ser um trauma incutido na pessoa e que permanecerá para toda vida. Torna-se também relevante indicar que uma dos grandes factores que induzem um processo de separação e a sua superação prende-se pelas rotinas que têm que ser novamente alteradas em função da vida actual do sujeito.
É assim importante que, caso o sujeito sinta que está a atravessar por uma separação difícil, procure ajuda psicológica que lhe possa proporcionar o apoio necessário.

Tenho um choro fácil, por vezes sinto-me bem mas começo a chorar compulsivamente. Pode um Psicólogo ajudar-me?

Pode sim. Embora o acto de chorar ser um processo natural do nosso organismo e necessário para a manutenção de um estado emocional equilibrado, muitas vezes o choro compulsivo ou sem causa aparente pode ser um sintoma relacionado com a depressão.
É importante referir que o reflexo do choro por si pode não ser derivado da depressão, aliás, existem vários casos de pacientes que sofrem desta perturbação mas não choram.

São conhecidos também muitos casos em que o choro existe compulsivamente mas a pessoa pensa que “está bem”.

Assim, este quadro pode indiciar outros possíveis problemas que só com uma avaliação psicológica podem ser descortinados.

 

 

Sinto-me quase sempre angustiada. Sofrerei de alguma doença?

A angústia está muitas vezes relacionada com transtornos do foro depressivo/ansioso.

Isto não invalida que esse sentimento seja simplesmente passageiro ou causa de uma situação de vida específica que possa ser superada pelo paciente sem ter que recorrer a ajuda profissional.

Nesse sentido, a angústia em si não é suficiente para diagnosticar uma doença ou problema, já que é necessário uma avaliação mais detalhada do historial do paciente nomeadamente no que toca a outros sintomas que possam estar presentes para que se possa diagnosticar ou não alguma doença.

 

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Sofro de um Distúrbio Alimentar, consultar um Psicólogo pode ajudar?

Sim, após um correcto diagnóstico sobre a causa desse distúrbio, no caso de ser de foro ansioso, um Psicólogo apresenta uma terapêutica bem fundamentada e com bons resultados.
Há sempre nestes casos a necessidade da avaliação do problema, já que em casos mais graves, pode ser necessária uma equipa multidisciplinar com especialistas de outras áreas para uma acompanhamento eficaz.

 

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